segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

(2) "Fantasia Infantil nº1 (H-35.002) - Musidisc - 1954

O disco que inaugurou os posts numerados deste blog, "Cançoes de Amor", de Renata Fronzi, foi o 11º LP da gravadora Musidisc, fundada pelo intérprete, compositor e empresário Nilo Sérgio em novembro de 1952. O 9º lançamento da gravadora foi "Show" (M-009), coletânea com inéditas citada no mesmo post, em 10 polegadas (formato usado pela Musidisc nestes seus primeiros anos). O primeiro disco da companhia foi "Datas Felizes", de 1953, com o próprio Nilo Sérgio, As Estrelas (pseudônimo do Trio Madrigal) e arranjos e regência do maestro Leo Peracchi, com orquestra. O ponto em comum entre "Datas Felizes" e "Show" é a assinatura da capa de um dos grandes desenhistas do período, Rodolfo, um dos pioneiros em capas desenhadas como colaborador da Continental ("Parada Continental, primeiro LP da gravadora, tem capa dele) e que naquele momento fazia parte com destaque da equipe da revista infantil "Sesinho", ao lado de Joselito Mattos (onde permaneceu por anos, principalmente - mas não unicamente - como capista). Inclusive, além da amizade com Renata Fronzi, pesou muito a presença de Rodolfo na Musidisc para que o contrato de Joselito fosse firmado com a gravadora. Outra presença auspiciosa, e esta definitiva para a contratação do artista, foi o parentesco de Nilo Sérgio com Walter Pinto, o "chefe" de Joselito no teatro de revista: Nilo era irmão de Walter, por parte de pai. Rodolfo teve uma sequência de nove discos com sua arte sutil e poética na Musidisc, enquanto mantinha paralelamente sua colaboração com a Continental (em discos como "Ernesto Nazareth; Radamés Gnattali" e "Joias Musicais Brasileiras, de Radamés Gnattali). Criou mais algumas capas em seguida, até que de repente, estancou sua carreira no setor fonográfico - seguiria nas artes gráficas em livros e ilustrações editoriais.

A produção de Joselito entre a sua contratação pela Musidisc (julho de 1953) e o início da fabricação de LPs de 12 polegadas pela mesma gravadora (janeiro de 1956) é camuflada pela falta de crédito, comum no período, aos reponsáveis pela arte/layout das capas. No livro biográfico "Joselito Solta seus Bichos" (Editora Noir - 2023), penei para pescar imagens de capas que me trouxessem algum sinal do nome de Joselito Mattos nos créditos e até para cravar o ano exato de lançamento dos discos no período. Para as imagens, fui salvo por anúncios e leilões na internet; para os anos, notinhas na imprensa. Este disco que destaco nesse segundo post numerado, foi lançados entre 1954 e 1955 (e no livro, acabei citando em sua segunda prensagem, de 1956) e embora não tenha assinatura de Joselito, traz a sua arte em estado puro - quem conhece Joselito Mattos de suas incursões nas histórias em quadrinhos, reconhece seu traço antropomorfizado de cara. A tartaruga ou o macaco vestindo um fraque de comissão de frente de fanfarra, por exemplo, são "irmãos de traço" de seus famosos personagens nas HQs. Essa série infantil paralela da Musidisc contou com um primeiro lançamento, "O Gato de Botas/O Pequeno Polegar" (H-35.001), com capa de Rodolfo e clássicos de Charles Perrault, adaptados por Haroldo Barbosa, com locução de Luiz Jatobá. "Fantasia Infantil nº1" foi o segundo lançamento da série (H-35002) e até onde se sabe, o último. Com Lenita Bruno, Coro e Orquestra, traz no lado A músicas tradicionais adaptadas por Nilo Sérgio e Alberto Ribeiro ("Parabéns a Você", "Ciranda Cirandinha") e inéditas da dupla ("Aniversário de Mamãe"; "Canção da Páscoa"). No Lado B, duas histórias criadas por Joselito e Nilo Sérgio, com narração de Oswaldo Luiz: "A Lenda das Estrelas" e "A História de Papai Noel". Essa foi a primeira capa de disco de Joselito Mattos para o público infantil (com direito a histórias suas em parceria incluídas), gênero em que ficaria muito conhecido seis anos depois (fase que será devidamente esmiuçada nesse blog, em seu devido tempo).


sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

(1) "Canções de Amor" - Renata Fronzi (Musidisc - 1953)


Essa é a primeira capa de disco criada por Joselito Mattos na vida. Ele mantinha um caderno de esboços e ilustrações recheado com retratos de bastidores de seus colegas e amigos do teatro de revista - Joselito já era em 1953 um conceituado cenógrafo, figurinista e ilustrador de material de divulgação da Companhia Walter Pinto, a mais famosa do gênero. Entre suas amigas, musas do teatro de revista em todos os tempos, como Mara Rúbia, Nélia Paula, Virginia Lane, Íris Bruzzi e Renata Fronzi. Quando Renata Fronzi recebeu a proposta da direção da gravadora Musidisc, no início de 1953, para gravar um disco de dez polegadas para a casa, a atriz não titubeou em chamar seu grande amigo Joselito para o layout da capa de seu debut fonográfico. Como ele tinha dezenas de ilustrações e portraits de sua amiga em seu famoso caderninho - alguns inclusive foram usados para colunas em jornais na época - a tarefa foi facilitada. O LP (M-011) de dez polegadas, mono, em 33 1/3 rotações por minuto, com oito músicas, embora tenha causado certo rebuliço no meio musical e "emprestado" faixas para coletâneas posteriores da própria Musidisc - além da inédita "Se Eu Morresse Amanhã", de Antonio Maria e Pernambuco, da mesma seção de gravação, lançada no disco de inéditas Show (M-009) - foi o primeiro e último da carreira musical de Renata Fronzi.

A capa de Joselito também chamou atenção no lançamento: a atriz/intérprete aparece desenhada a lápis em cinco poses e ângulos diferentes, glamorosa, como se posasse para um catálogo de moda. A assinatura "Joselito - Rio" está lá na fronte da capa de fundo verde, no canto esquerdo do quadro - uma raridade nessa época de escassos créditos autorais para os capistas - e já era uma marca registrada do desenhista nas histórias em quadrinhos e nas páginas de moda em magazines. Detalhe: a não ser por essa assinatura, que possivelmente já estava inclusa no "pacote" dos retratos ilustrados da atriz, não há outra menção ao nome de Joselito, que não aparece na ficha técnica. Na foto da contracapa (não assinada,  pode ser do fotógrafo Mafra, que será esmiuçado em outro momento aqui no blog), a intérprete posa com uma piteira, ao lado de texto elogioso do marido César Ladeira. Um ótimo lançamento, com uma bela embalagem, e com um pequeno lapso frontal, que quase ninguém percebeu: no pequeno quadro que informa as oito músicas, "Insulto" (Mário Lago - Chocolate) fica de fora e uma tal de "Para Que?" está em seu lugar. Foi graças a essa capa chamativa que Joselito Mattos foi contratado como artista exclusivo da gravadora no final de julho de 1953 - ao lado de artistas como o pianista Leal Brito e sua orquestra; o solista de órgão Francisco Scarambone; o conjunto vocal Três Marias e o conjunto panamericano Típica D'Ávlis. Joselito Mattos iniciava e iniciava bem, sua intensa e criativa carreira na indústria fonográfica.



quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

O Blog "As Capas Fonográficas de Joselito Mattos"

Quando fechei o livro biográfico "Joselito Mattos Solta seus Bichos", pela Editora Noir em 2023 - às vésperas do centenário de nascimento do biografado, Joselito de Oliveira Mattos (1924-1989) - eu percebi que o universo artístico de Joselito era quase infindável. Se nos quadrinhos o artista teve um mapeamento mais preciso das publicações em que desenhou (tanto para as capas como para as histórias internas), no campo das capas de discos, entre 1953 e 1989 (ano de sua morte), ou seja, mais de 35 anos, dada sua produção inacreditavelmente intensa e veloz, torna-se quase impossível listar todas as suas participações como layoutista, ilustrador e/ou fotógrafo do mercado fonográfico (em LPs de 10 polegadas, LPs de 12 polegadas, Compactos -7 polegadas - e CDs). Da sua fase inicial na Musidisc (até o final da gravadora em 1971, aproximadamente), passando pela Drink, Plaza, Audiola (selo da Musidisc), Continental (onde fez muito sucesso com a coleção Disquinho), Nilser (outro selo da Musidisc), Copacabana, Odeon, RCA, Codil/CID, Equipe,Tapecar, além de muitas gravadoras menores (Cartaz, E.S Mangione, Disc News, Esquema, etc), o artista "produziu" dezenas de capas anualmente (parte com sua fiel assinatura "Joselito Rio", parte só na ficha técnica e muitos "descobertos" em pesquisa para o livro e sem assinatura nenhuma - além de sua longa parceria com o fotógrafo Mafra). Este blog, portanto, foi criado para abarcar essa longa galeria de capas de discos de Joselito Mattos. Muitas capas entraram no livro (numa introdução "estonteante" e colorida e nos capítulos internos), e foram citadas nos textos dos capítulos, mas a ideia aqui é ter um espaço digital que registre e deixe "guardado" as imagens de todas as capas fonográficas possíveis criadas por Joselito (e quem sabe as impossíveis) para posteriores pesquisas e consultas. Sejam bem-vindos pesquisadores, estudantes, colecionadores, fãs e entusiastas da arte de Joselito Mattos. Quem tiver uma imagem de capa de Joselito em boa resolução e quiser participar, é só mandar para o e-mail marcosmassolini@uol.com.br (se possível, com o ano do disco e nome da gravadora)

(2) "Fantasia Infantil nº1 (H-35.002) - Musidisc - 1954

O disco que inaugurou os posts numerados deste blog, "Cançoes de Amor", de Renata Fronzi, foi o 11º LP da gravadora Musidisc, fund...