O disco que inaugurou os posts numerados deste blog, "Cançoes de Amor", de Renata Fronzi, foi o 11º LP da gravadora Musidisc, fundada pelo intérprete, compositor e empresário Nilo Sérgio em novembro de 1952. O 9º lançamento da gravadora foi "Show" (M-009), coletânea com inéditas citada no mesmo post, em 10 polegadas (formato usado pela Musidisc nestes seus primeiros anos). O primeiro disco da companhia foi "Datas Felizes", de 1953, com o próprio Nilo Sérgio, As Estrelas (pseudônimo do Trio Madrigal) e arranjos e regência do maestro Leo Peracchi, com orquestra. O ponto em comum entre "Datas Felizes" e "Show" é a assinatura da capa de um dos grandes desenhistas do período, Rodolfo, um dos pioneiros em capas desenhadas como colaborador da Continental ("Parada Continental, primeiro LP da gravadora, tem capa dele) e que naquele momento fazia parte com destaque da equipe da revista infantil "Sesinho", ao lado de Joselito Mattos (onde permaneceu por anos, principalmente - mas não unicamente - como capista). Inclusive, além da amizade com Renata Fronzi, pesou muito a presença de Rodolfo na Musidisc para que o contrato de Joselito fosse firmado com a gravadora. Outra presença auspiciosa, e esta definitiva para a contratação do artista, foi o parentesco de Nilo Sérgio com Walter Pinto, o "chefe" de Joselito no teatro de revista: Nilo era irmão de Walter, por parte de pai. Rodolfo teve uma sequência de nove discos com sua arte sutil e poética na Musidisc, enquanto mantinha paralelamente sua colaboração com a Continental (em discos como "Ernesto Nazareth; Radamés Gnattali" e "Joias Musicais Brasileiras, de Radamés Gnattali). Criou mais algumas capas em seguida, até que de repente, estancou sua carreira no setor fonográfico - seguiria nas artes gráficas em livros e ilustrações editoriais.
A produção de Joselito entre a sua contratação pela Musidisc (julho de 1953) e o início da fabricação de LPs de 12 polegadas pela mesma gravadora (janeiro de 1956) é camuflada pela falta de crédito, comum no período, aos reponsáveis pela arte/layout das capas. No livro biográfico "Joselito Solta seus Bichos" (Editora Noir - 2023), penei para pescar imagens de capas que me trouxessem algum sinal do nome de Joselito Mattos nos créditos e até para cravar o ano exato de lançamento dos discos no período. Para as imagens, fui salvo por anúncios e leilões na internet; para os anos, notinhas na imprensa. Este disco que destaco nesse segundo post numerado, foi lançados entre 1954 e 1955 (e no livro, acabei citando em sua segunda prensagem, de 1956) e embora não tenha assinatura de Joselito, traz a sua arte em estado puro - quem conhece Joselito Mattos de suas incursões nas histórias em quadrinhos, reconhece seu traço antropomorfizado de cara. A tartaruga ou o macaco vestindo um fraque de comissão de frente de fanfarra, por exemplo, são "irmãos de traço" de seus famosos personagens nas HQs. Essa série infantil paralela da Musidisc contou com um primeiro lançamento, "O Gato de Botas/O Pequeno Polegar" (H-35.001), com capa de Rodolfo e clássicos de Charles Perrault, adaptados por Haroldo Barbosa, com locução de Luiz Jatobá. "Fantasia Infantil nº1" foi o segundo lançamento da série (H-35002) e até onde se sabe, o último. Com Lenita Bruno, Coro e Orquestra, traz no lado A músicas tradicionais adaptadas por Nilo Sérgio e Alberto Ribeiro ("Parabéns a Você", "Ciranda Cirandinha") e inéditas da dupla ("Aniversário de Mamãe"; "Canção da Páscoa"). No Lado B, duas histórias criadas por Joselito e Nilo Sérgio, com narração de Oswaldo Luiz: "A Lenda das Estrelas" e "A História de Papai Noel". Essa foi a primeira capa de disco de Joselito Mattos para o público infantil (com direito a histórias suas em parceria incluídas), gênero em que ficaria muito conhecido seis anos depois (fase que será devidamente esmiuçada nesse blog, em seu devido tempo).


